segunda-feira, 4 de abril de 2016

O INFERNO EXISTE?



Introdução

Milhares e milhares de pessoas acreditam que existe um lugar cujas características extrapolam o raciocínio lógico humano. É um lugar chocante, terrível, tenebroso que todos temem. Inimaginável estar neeste lugar espiritual em que almas são atormentadas o tempo todo por espíritos maus.
Por muitos anos esta ideia permeia a mente do homem causando medo e às vezes repulsa a um Deus que supostamente criou um lugar para atormentar almas perdidas.
Mas este lugar realmente existe? Deus criou um espaço tenebroso para se vingar de almas rebeldes e vê-las pagar por toda maldade que fizeram aqui na Terra?
A bíblia não traz referência alguma sobre esse suposto lugar de tormento como é ensinado durante todos esses séculos, nem se pode tomar como doutrina a parábola do rico e Lázaro contada por Jesus Cristo.  Mas, então, o inferno existe?
Sim, o inferno existe, e não é como acreditam ser: um lugar de tormento cheio de demônios torturadores, pelo menos é o que nos mostra a bíblia.
“A palavra “Inferno” não está na língua hebraica e grega, do Antigo e Novo Testamento respectivamente, vem do latim infernus, de séculos depois, então cabe aos tradutores identificarem o inferno em palavras gregas se baseando em suas convicções teológicas, daí onde ocorre alguns erros de concordâncias.”


O Inferno segundo a Religião

Jesus disse: “Quem crê em mim será salvo, mas quem não crê está condenado”.  Esta frase é uma das mais usadas pelos pregadores para se referir a uma condenação eterna para os injustos. Segundo eles a descrença em Jesus torna o descrente um condenado ao tormento sem fim assim que morre.  A partir daí cria-se fantasias mirabolantes acerca do que seria essa condenação. Deve haver um lugar de perdição, terrível para que as almas que forma rebeldes, contrárias a vontade de Deus, sofram continuamente por isso. Aquelas que machucaram pessoas, roubaram, mataram, violentaram tem de ser torturadas de eternidade em eternidade enquanto Deus existir, e ele mesmo se encarrega de jogar tal alma nesse sofrimento e vigiá-la sofrer incansavelmente.
A religião foge absolutamente do ensino do Evangelhho, enquanto este afirma categoricamente que os mortos dormem, aquela apregoa os céus ou paraíso aos santos e o inferno aos pecadores imediatamente após a morte.  Dão ênfase a parábola do rico e Lázaro em que Jesus afirma Lázaro, o mendigo, está  no seio de Abraão enquanto o rico num lugar de tormento desejando beber uma gotícula de água.
Jesus nunca afirmou  que o rico estivesse no Inferno (retratado pelas religiões) e Lázaro, mendigo no Paraíso (segundo a ideia das religiões).  Ainda há de se compreender que Parábola não é fundamento para se criar doutrina.  Jesus tinha a intenção de revelar algo nessa parábola, aproveitando a forma de entendimento das pessoas para quem falava. Logo devemos perceber que onde o rico estava não havia demônios torturadores, perturbando o rico, fazendo de sua eternidade um tormento sem fim e, também se existisse inferno este não poderia ser visível aos moradores do céu, porque assim, eles jamais poderiam ser felizes vendo o sofrimento de seus entes queridos.


O significado da Parábola do Rico e Lázaro

Lucas Banzoli em seu artigo: Estudo completo e aprofundado sobre a parábola do rico e Lázaro exemplifica muito bem o que Cristo quis ensinar com esta parábola, do qual muitos interpretam como literal, afirmando que Jesus falava de um mundo espiritual, no qual jamais foi intenção do mestre. Acompanhe um trecho do artigo que explica o significado dos elementos da parábola do Rico e Lázaro:

 

“O homem rico representava a nação judaica, que se orgulhava de se auto-considerar “os filhos de Abraão” (cf. Jo.8:33). Eram o povo escolhido de Deus, a nação eleita, sacerdócio real, tinham a Lei de Deus, os Mandamentos, eram os filhos legítimos de Abraão.
Contudo, rejeitaram o Messias, rejeitaram o Filho de Deus encarnado, preferiram seguir os seus caminhos e as suas tradições, fundamentando-as na segurança de serem os filhos de Abraão, Em contraste, como eles consideravam os gentios? Os consideravam como os coitados, considerados como cães, imundos e indignos do favor do Céu, pelos judeus. Não foram os “escolhidos de Deus”, eram, portanto, os “Lázaros espirituais”.
Enquanto os judeus receberam tudo de bom nesta vida, recebendo o favor de Deus como a nação eleita e sacerdócio real, para lhes ser computada como justiça, os gentios (representados pelo mendigo Lázaro) eram os “pobres” do Reino. Ficavam para trás, o máximo que faziam era “comer as migalhas” daqueles que faziam parte do Reino, os judeus, representados pelo Rico.
Como o rico, os judeus não estendiam a mão para auxiliar os gentios em suas necessidades espirituais. Permitia apenas comer das migalhas. Cheios de orgulho, consideravam-se o povo escolhido e favorecido de Deus; contudo, não serviam nem adoravam a Deus. Depositavam confiança na circunstância de serem filhos de Abraão, dizendo: “Somos descendência de Abraão” (cf. Jo.8:33), e diziam isso orgulhosamente.
Assim, foram os judeus comparados ao homem Rico da parábola, pelo fato de que possuíam as riquezas do evangelho, mas, no entanto, não cumpriram a vontade de Deus a respeito deles, que era de ser a luz dos gentios.
Apesar de serem considerados “a descendência de Abraão”, os gentios demonstravam uma fé muito superior do que a dos próprios israelitas! Embora estes fossem “os ricos do Reino”, devendo ser a luz das nações e os reis da terra deveriam caminhar vendo a glória de Deus que paira sobre eles (cf. Is.60:3), não aproveitaram essa sua riqueza. Os gentios, contudo, mesmo sendo os “Lázaros espirituais”, desprezados pelos judeus por não serem os “filhos de Abraão”, demonstraram uma fé muito superior a dos próprios judeus.
Portanto, Cristo quis ensinar nesta parábola que os judeus (Rico) banqueteavam-se na mesa da verdade, enquanto os gentios (Lázaro), eram como os cachorrinhos que procuravam a todo custo apanhar ao menos das migalhas do evangelho.
E, de fato, eles passaram a fazer parte da mesa de Deus, unidos em “um só povo” (cf. Jo.11:52). Isso serviu de lição moral ao grupo dos fariseus, que eram exatamente aqueles a quem Cristo condenava nesta parábola (v.14,15). A maior prova de que o Rico (nação judaica) recebeu “seus bens em sua vida”, como nos informa a parábola, foi o fato de ter sido chamada para ser o sacerdócio real de Deus na Terra, nação santa, peculiar.
Sobre ela o Senhor dispensou, por séculos, bênçãos sem limites, além de dar-lhes uma terra onde mana leite e mel e, finalmente, deu-lhes o próprio Messias, o Salvador. A reação do rico (judeus), contudo, foi esta: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (cf. Jo.1:11). Os judeus, portanto, rejeitaram o Messias (o Rico morre). Assim sendo, perderam a soberania divina sobre as demais nações.
O evangelho haveria de ser então anunciado em seu poder aos gentios (Lázaro), a fim de que também eles participassem da mesa do Reino. Não comeriam mais migalhas da mesa do Senhor, mas fariam parte do banquete do Reino (cf. Lc.13:29). O que Jesus faz? Ele tira do próprio Abraão, sobre o qual aquela nação judaica se orgulhava em sua chamada “superioridade”, as palavras que este haveria de ter dito em pessoa: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” (cf. Lc.16:31).
Essa é a lição moral da parábola. Nada, nem mesmo uma ressurreição, poderia converter aquela nação novamente. Tornaram-se cegos espirituais, cavaram-se a si mesmo um abismo intransponível entre eles e Deus, entre eles e a salvação (cf. Lc.16:26). A parábola, portanto, não deve ser interpretada literalmente pelos seus meios fundamentando-a como doutrina, pelo contrário, tem cada elemento o seu devido significado ao exemplo das outras parábolas que também não apresentam meios literais, mas uma verdade moral por detrás de um cenário fictício.”

Lucas Banzoli, Estudo completo e
aprofundado sobre a parábola do rico e Lázaro

                Está extremamente explicado neste artigo qual a real intenção de Cristo com esta parábola, mas infelizmente durante séculos se vem ensinado totalmente o contrário com uma intenção maldosa de criar um inferno para sofrimento eterno de almas visando o amedrontamento das pessoas e forçar sua conversão. De modo algum Deus criaria um inferno (e eterno, ou seja, para sempre) com demônios torturadores para ver seus filhos sendo maltratados dia e noite pelos anjos caídos. Isso seria uma grande vitória para Satanás, que se alegraria muito com tal situação. Mas o bem da verdade é que TODAS as pessoas que morrem, neste exato momento esperam o dia da ressurreição. A bíblia ilustra isto inúmeras vezes em várias passagens; nem há como refutar. 
            Portanto, a Parábola do Rico e Lázaro nada mais é que um ensino a respeito de algo que acontecia nos tempos em que fora explanada e nada tem a ver com ensino sobre imortalidade da alma, ou seja, que quando morremos ou vamos para o Paraíso ou para o Hades. Não há fundamento bíblico para afirmar que o rico estava no Inferno atormentado e o mendigo no Paraíso deleitando-se com as maravilhas lá encontradas. Tudo não passou de uma história que Jesus contou para ilustrar o seu ensino sobre a rebeldia do povo judeu e sua “queda” espiritual por não crê no Filho do Homem.


            Os mortos: para onde vão as suas almas?

            Segundo o livro de Provérbios os mortos nada sabem, nada sentem, nada compreendem.  A bíblia diz que o corpo retorna para o pó da terra e o espírito volta para Deus que o deu.
            Em toda a bíblia há referência de que os mortos não tem sentido algum. Audição, visão, paladar, tato ou olfato pertencem a quem está vivo.  Quem sai dessa Terra perde toda a consciência, emoção e sentidos. Fica dormindo aguardando o dia Jô juízo quando todos ressuscitaram dos mortos.
            Em João 11 tem-se a história da ressurreição de lázaro.  Nos versos 11 ao 14 percebe-se Jesus falando sobre como é a morte.  Diz que é um sono profundo, ou seja, um estado total de inconsciência,  inclusive os discípulos pensaram que Jesus falava que lázaro dormia o sono comum e que estava seguro, então, no verso 14 Jesus declara abertamente: Lázaro está morto”.
Então, para onde vão as almas dos mortos?  A alma é a própria consciência.  Ela adormece quando o corpo, a quem ela pertence, desfalece.  Como uma bexiga que murcha ao sair o ar de dentro, assim, o corpo desvanece quando perde a alma e esta por sua vez “deixa de existir”.  Mas o ar deixa de existir?  Não, ele continuar existindo até ser posto na bexiga e enchê-la novamente.  Do mesmo modo a alma retornará ao corpo com toda sua consciência e vitalidade no grande dia do Juízo em que Jesus aparecerá no céu e julgará as nações da Terra.

O. V. dezembro de 2015.
 São Cristovão / RJ

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