sexta-feira, 13 de maio de 2016



A HISTÓRIA DA CRUZ

Referência: João: 2, 16.

Introdução

Certa vez eu estava no coletivo Central x Jardim Botânico aguardando para entrar no ônibus quando vi, sentado em frente a uma coluna, um homem deficiente embaixo de um sol escaldante numa manhã de janeiro.
Fiquei observando-o por um tempo e percebi quando uma moça bem vestida trazendo uma garrafa de suco cítrico de cor amarela, passou por ele. De imediato o homem estendeu a mão rogando que lhe desse um pouco daquele suco que carregava. Ela, porém, se esquivou e logo sumiu das suas vistas.
Meu coração apertou. Olhei para a sacola que carregava nas mãos.  Dentro dela havia iogurte, um suco gelado, além  de um biscoito recheado de chocolate.  Avisei ao companheiro atrás de mim na fila que iria logo ali e já voltava.  Fui em direção ao homem.  Abaixei-me e ofereci o biscoito e o suco.  Abri o pacote e dei na sua mão.  Ele bebeu com vontade o refresco e ficou lá se esbaldando com o lanche.
Voltei a fila ainda a observá-lo.  Entrei no coletivo e pela janela meus olhos o observavam molhados de lágrimas.  No peito um aperto enorme por saber que nada podia fazer por aquele homem.
Durante todo o trajeto até o meu destino, aquela imagem me seguiu.  Fiquei meditando sobre aquela situação, tentando encontrar Jesus ali.   Onde estava Jesus no sofrimento daquele pobre ser?  Onde se encaixava o Mestre do Amor, c omo diria o psiquiatra Augusto Cury, nessa triste e complexa manifestação da vida?
Uns nascem para sofrer enquanto outros riem, já dizia o poeta.  E nesse melodrama veremos um céu e uma Terra que por vezes chora e ri.  Por vezes cai chuva sobre maus e bons. O sol aquece “ímpios” e “santos”. Tudo acontece naturalmente como tem que acontecer.
É difícil entender que nesse exato momento milhares e milhares de seres humanos choram com dores terríveis na alma, sentem fome na carne, enlouquecidas, correm desesperadas pelas ruas das cidades procurando por algo que nem mesmo elas sabem. Estão fugitivas, perdidas pelos matagais dos imensos lugares. Outras estão nas suas mansões cheias de mordomias, luxo e riqueza.  Comem e bebem do melhor. São felizes com suas famílias e amigos. Mas já nos perguntamos o porquê disso tudo? Já nos perguntamos a opinião de Deus à respeito dessas questões?
Parece não interessar a muitos questionar isso ou qualquer outra coisa junto a Deus.  Muitos de nós tem medo de Deus. Medo de perguntar, de questionar.  Ficamos a ver Deus como um inacessível ser extraordinário, longe de nós, de nossas vidas. Pensamos que Deus não se interessa se queremos saber ou não de algo, que é excelente demais para sentar conosco e perder tempo nos explicando algo que não nos interessa saber.
Mas Deus tem ânsia que perguntemos, que questionemos, que chamemos a sua presença para dialogar.  Ele tem prazer em sentar ao nosso lado, olhar nos nossos olhos e responder a todas as nossas dúvidas.  Como um amigo que ele desejou ser de Adão e Eva, quer sempre descer ao jardim e conhecer mais um pouco de nós.  O Deus amoroso, rico em misericórdia não destruirá nossa vida simplesmente porque desejamos conhecê-lo.
Eu quis conhecer mais de Deus. Aliás, quis conhecer este Deus que a religião me dizia ser uma extraordinária criatura longe, muito longe dos meus ideais e sonhos.  Ensinou-me a obedecê-lo sem questionar coisa alguma, mas nunca me disse que ele queria o meu amor e não obediência cega.

Adão e Eva.

Os primeiros homens tinham contato direto com o Criador. Conversavam com ele, procuravam conhecê-lo e entendê-lo assim com ele as suas criaturas.  Mas no meio desse relacionamento surgiu outro personagem que não havia sido convidado. Tal personagem astutamente conquistou Eva. Fez-se mais amigável, mas abert, mais saliente. Procurou ir mais fundo no interior do homem sem respeitar a sua vontade.  Diferente de Deus, a serpente invadiu a consciência de Eva e fê-la crer em tudo que dizia.
Deus, aos poucos, amorosamente, carinhosamente procurava entender aquela criatura que criou, por isso passeava sempre pelo jardim para vê-los, conversar com eles e compartilhar daquela criação que esbanjava beleza, alegria e paz.  Mas Eva ouviu a serpente dizer coisas extraordinárias a seu respeito, elogios, exaltações. Eva se encantou. A serpente chegou dizendo que Deus era maravilhoso, espetacular, pois criara uma criatura tão linda e digna de muitos elogios, de louvor. Mas faltava algo, e assim, como persuadiu os anjos do céu, Lúcifer, personificado naquele animal, induziu a mulher a duvidar de Deus.
O grande perigo é confundir uma e outra coisa.  Questionar a Deus não é duvidar de Deus.  Não é duvidar da sua bondade, do seu amor e da sua misericórdia.  É inegável tudo isso.  Quando precisamos questionar a Deus sobre algo é pelo motivo de entendê-lo, compreender sua intenção.  Nós jamais poderemos casar com alguém sem conhecê-lo, saber suas reais intenções. Qualquer relacionamento deve haver questionamento, diálogo aberto e direto.
Ao duvidar de Deus, como Eva, nosso relacionamento se alargará, perderemos a confiança, iremos ouvir outras vozes e se não cuidarmos perderemos a presença do nosso mais excelente amigo, o nosso amor incondicional.
Deus queria o amor dos homens, por ele viria o respeito, a obediência, a confiança. Se Eva amasse a Deus verdadeiramente de toda a sua alma e de todo o seu entendimento, nunca duvidaria da sua palavra.  Ouviria a serpente e, de imediato,  correria a Deus e contaria tudo o que ela dissera.  Logo a serpente seria castigada e levada sobre si toda a maldição pelo que dissera de Deus. Ela o chamou de mentiroso, isso era notavelmente um erro terrível porque deus não mente.  Ele é a verdade desde o início ao fim.

Uma conversa com Deus

Então, perguntei a Deus: Como resolveremos essa situação? Os olhos molhados, o coração apertado, tristonho.  Mas Deus não me respondeu nada.  Claro, como poderia responder algo que já estava evidente?  Como eu poderia esquecer a história da cruz? “ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”  (João 3, 16.) Como minha mente poderia apagar uma tão maravilhosa ação feita por Deus?
Evidentemente que Deus se importava com aquele moço largado naquela calçada do centro do Rio de Janeiro.  Claro que sentia as dores das almas, das milhares de pessoas nesse planeta. Que entendia seus erros, suas frustrações, seus medos. Por isso enviou aquele a quem nunca negou o amor pelas criaturas.  Aquele que esteve no início e por ele tudo se fez.  Foi ele quem permitiu hoje, da morte renascer o homem e quebrar todas as cadeias de sofrimento que angustiam todos nós.
Mas o que a cruz verdadeiramente quer dizer?  Ao olharmos para ela o que nos vem a mente?  Essa história é como todas as outras?  Tem início, meio e fim?

Uma cruz e uma história de sacrifício

À princípio temos de saber que a cruz é a prova irrevogável do amor de Deus por mim e por você.  Não há criatura alguma nesse planeta que não seja amada por deus e dessa forma ter o mesmo direito de estar com ele para sempre.
A história da crua começa quando Deus percebe que o homem, a quem ele muito amou, poderia não estar mais em sua presença, que sua consciência se esfacelaria por um tempo infinito. E o amor de Deus por essa consciência foi tão grande que algo deveria ser feito. Não poderiam perder essa criação livre e dotada de pensamentos e desejos distintos.  Criação que tinha dentro de si, o sopro do seu Espírito, guardado e manifestado para um crescente relacionamento verdadeiro, aberto e puro.
Todos os dias temos que tentar compreender a Deus e estar aberto para fazê-lo também nos compreender. Deus não é um ser que fica o tempo todo sentado num trono dando ordens e recebendo glória. Deus é um ser que passeia, conversa, abraça, faz carinho, chora junto, ri junto e sobre conosco.
Por muito tempo eu via Deus como João descreveu em Apocalipse: sentado num trono rodeado de anjos recebendo glórias.  Eu esquecia do Deus que passeava no jardim do Éden, que conversava face a face com Moisés, que limpava os pés dos discípulos, que os abraçava e se alimentava com eles. Que recebia no ombro a cabeça carinhosa e carente de João. Jesus era Deus conosco na Terra. Ele disse que estava no pai o pai nele quando o discípulo pediu para ver Deus.  Ele era o próprio Deus em carne. 
João descreveu um momento de Deus. Não quer dizer que o tempo todo ele esteja a li naquela posição.  Que não venha até nós e nos abrace e se mostre pai amoroso e carinhoso.

Um homem, uma cruz e um sacrifício.

Nessa história a cruz se apresenta como inevitável. Através dela Jesus pisaria a cabeça da serpente. Deus disse: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15) Ao longo dessa trajetória Deus levou o homem a entender o que seria esse sacrifício.
O que teria a ver um homem ser cravado numa cruz assim como tantos outros malfeitores naquela época? O que isso mudaria no planeta e fora dele?  Primeiro que este homem nada mais era que o Criador do universo. Este Criador se tornaria criatura e como criatura perderia temporariamente seu poder e soberania. Estaria a mercê da morte, sentiria fome, sede e paixões como todos os homens na Terra.
Jesus dependia exclusivamente de Deus. Se Deus não o cuidasse morreria antes do tempo, como tantas vezes quiseram matá-lo. Então, Deus em Jesus perdeu, aqui na Terra, sua glória, seu poder, se fez carne, maldição por todos nós.
Antes da cruz os pecados eram extirpados com sacrifícios de animais para que o homem entendesse  o valor do sacrifício.  Isso foi feito pelo tempo necessário para entendermos o amor de Deus. Ele explicava que tínhamos uma natureza corrompida, devido a isso precisávamos fazer algo para nos achegarmos a ele, que é incorruptível.
Não temos culpa de Eva ter errado, duvidando de Deus e perder a incorruptibilidade. O Senhor não nos culpa. Tanto é que entendendo isto Deus arquitetou o plano para nos livrar dessa maldição que nos sobreveio antes mesmo que tivéssemos conhecimento de tudo.  Assim começo a história da cruz.

Deus na Terra

Jesus nasceu do sopro direto do Espírito Santo.  Por ser filho de Deus não poderia vir de espermatozoide humano ou Deus se relacionar carnalmente com uma mulher porque deus é Espírito.  Para tanto Deus escolheu um ser humano íntegro na sua alma, puro no seu coração e limpo no corpo para trazer do céu à Terra o seu filho.
Então, cumpriu-se a profecia. Ele veio e desenvolveu a história da cruz: conheceu as dores, a tristeza, as angústias e as confusões humanas.  Andou conosco, se alimentou do fruto da Terra, cansou como cansamos na carne, provavelmente foi infectado por algum vírus e adoeceu, sentiu febre, calafrios, dor de cabeça.

À caminho da cruz

Jesus, à caminho da cruz, falou de amor e de perdão. Compartilhou seus sentimentos conosco, chorou ao nosso lado, nos levou ao entendimento do sacrifício.  Fez-nos entender que era por amor que tudo aconteceria. Não era um homem qualquer que seria crucificado. Era o Criador de todas as coisas.  Sem culpa, sem erro, sem maldade alguma.  Era preciso que o céu e a Terra vissem ele se desprender da sua majestade, do seu poderio, se humilhasse diante de todos os anjos, de todos os principados, de todos os filhos de Deus em todo o universo para jamais negarem, durante toda a existência, que ele amou, ama e faz de tudo que for possível e impossível, na sua retidão, bondade, justiça e misericórdia, por este ser chamado homem.
E aconteceu que aos trinta e três anos de Cristo na Terra, ele rendeu-se a mim e a você.  Não foi a Satanás, nem aos anjos caídos com ele que Jesus se entregou humilhado e maldito. Foi a mim e a você. Com amor incompreensível, inigualável e ilimitado. Aceitou que o universo, inclusive os anjos rebeldes, o vissem tornar-se maldição numa cruz de madeira e levar sobre si a culpa que herdamos de Adão e de Eva e tornar-nos como ele e  o pai são: eternos.
Tudo parou nesse episódio.  E quando digo tudo, me refiro a toda  existência.
Mateus 27, diz: “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.” Como prova de que este episódio abalou tanto o céu quanto a Terra. E, logo, que ressuscitara Jesus finalizou a história da cruz afirmando: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus: 28, 18.
A partir daí tudo que era sujo, limpou-se, tudo que era treva, tornou luz, onde havia morte, chegou a vida.
Quando lembro daquela situação na Central do Brasil tenho outro entendimento com relação a posição de  Deus. Hoje eu entendo a dor dele não como de um ser humano para outro na carne, mas como um irmão , porém, sabendo que a mesma herança a mim dada pertence a ele, pois Cristo conquistou “às duras penas” esta graça para nós. Talvez através daquele pacote de biscoito de chocolate e suco natural gelado, ele tenha recebido a visita do Espírito de Deus, que me levou até ele e compreendido a respeito da herança a qual lhe pertence antes mesmo dele nascer. Provavelmente tenha ocorrido isto, pois o amor de Deus extrapola o raciocínio humano. Ele quem nos conduz ao bem. Tudo de benevolência vem das suas mãos para que não nos gloriemos, então, caminhando comigo até aquele homem o Espírito de Deus tocou o seu espírito e lhe mostrou que nesta Terra a bondade e a misericórdia do altíssimo alcança a todos, acendendo luz nas trevas e superabundando graça onde abundou pecado.
Quem me fez sentir a sua dor e compadecer de sua fome e sede foi o amor de Deus que está acima da minha arrogância, pretensão e soberba.  Quem me fez perguntar a Deus sobre aquilo foi ele próprio. Houve uma reação da parte do Senhor aos meus olhos que avistaram a cena.
Será que de mim mesmo perguntaria ao homem de amor se ele se importava com aquele pobre? Será que de mim mesmo perguntaria: o que faremos?
Por certo não!
O Criador de todas as coisas endurece corações assim como amolece-os e conversando sobre nós mesmos nos mostra ou nos abre os olhos para entendermos quem ele é.  Para conhecermos os seus sonhos e ele os nossos e darmos continuidade ao nosso relacionamento com ele, interrompido por uma serpente.
Agora a cabeça da serpente foi esmagada.  Nada impedirá que namoremos e casemos com o nosso Criador e vivamos felizes para sempre.

Olavo Vieira. (30/01/2016) São Cristovão.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

MENSAGEM: COMO DEVEMOS ORAR




Introdução 

A bíblia é clara em relação a como devemos orar a Deus.  Jesus foi bem específico quanto à maneira com ofalar com o pai, utilizando-se de palavras objetivas e verdadeiras.  Repetição, segundo ele, não garante que a petição será atendida, pois o próprio Deus sabe o que pediremos antes mesmo que falemos em oração.

Maneiras de orar.

            É próprio de muitos orar utilizando palavras e expressões exóticas muitas vezes aprendidas uns com os outros sem que haja qualquer referência bíblica, tais como: Queima todo mal, repreende o acusador, desmancha os laços do inimigo, derruba por terra todo mal, etc.
            São expressões que ao longo do tempo vão se perpetuando como orações fervorosas, poderosas.  Quem usa essas expressões parece ter grande chance de ser atendido, porém, há incoerência ou desconexão como a oração ensinada por Cristo.
            Parece que ao orar dessa forma e em alta voz as forças do mal ouvem e atendem a repreensão que é feita, ao contrário de todas as realizadas na historicidade bíblica.
            Ana, por exemplo, realizou uma oração em silêncio, chorosa e dramática.  Foi confundida com uma bêbada, porquanto o sacerdote Eli a repreendeu imaginando que estivesse embriagada.  Ela explicou a sua situação, dizendo-lhe que não bebera vinho e nenhuma outra bebida forte, mas que estava atribulada de espírito e derramava sua alma perante o Senhor.
            Em primeiro Samuel no capítulo um a partir do versículo nove encontramos esta situação de oração e a resposta ao pedido que a mulher de Elcana fizera.
            Nota-se que Ana não usou expressões como: Senhor repreende a esterilidade do meu corpo, Queima esse mal que me assola.  Ela simplesmente conversou com Deus abertamente, fez um voto a ele e percebemos que pela humildade, sinceridade e fé dessa mulher sua petição foi atendida além do que pedira.  Os textos seguintes afirmam que Deus lhe deu mais que um filho.  Em todas as outras referências bíblicas vemos pessoas conversarem com Deus abertamente e claramente, não usando de expressões exóticas e confusas.
            O próprio Jesus além de ensinar a maneira de orarmos, muitas vezes orou ao pai de forma sucinta e clara.  Nunca usou palavras mirabolantes, expressões exuberantes e nem gritava.  Era uma fala clara e objetiva sem nenhuma sombra de confusão e desentendimento.
            A oração deve sempre ser uma fala inteligente, pois quem ouve é um ser inteligente e com inteligência responderá. Em Tiago quatro verso três, o escritor dá exortações às doze tribos que andam dispersas, segundo o prefácio do livro e diz sobre petição.  Embora o contexto dê a entender que ele falava sobre as paixões da vida e orientava quanto a resisti-las, podemos relacionar este versículo a uma oração feita de modo errôneo: é feito um pedido e não atendido, pois foi feito de maneira errada.  Nesse caso o autor diz que fizeram ou fazem para deleite próprio. Não obstante muitas orações são feitas desse jeito.  O pedinte deseja que Deus realize seus desejos, enquanto Jesus ensina: “Seja feita a sua vontade.”  Do mesmo modo antes mesmo de exaltar o nome do Senhor é pedido imediatamente o que se deseja, como se Deus estivesse à disposição para realizar desejos, como um gênio da lâmpada.

           
            O que Jesus quis ensinar com o Pai Nosso?

           
            A oração do Pai Nosso é a mais conhecida das passagens bíblicas.  Desde criança nossos pais e avós nos ensinam a orar dessa forma.  No entanto, não foi com o propósito de padronizar a oração que Jesus ensinou tais palavras. Ele apenas deu referência de como deveria ser a nossa petição junto a Deus.

“- Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o seu nome.”
           
                        Em primeiro lugar iniciando nossa conversa com Deus precisamos entender quem ele é, e que é digno de adoração, por isso Cristo ensina a reverência que deve ser dada ao Criador do universo.  Depois aceitar a sua vontade independente da nossa. Essa vontade é realizada tanto no plano terreno quanto espiritual.
                       
                        “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

                        O alimento necessário a todo ser humano responsável pelo seu desenvolvimento intelectual e físico faz parte do primeiro pedido pessoal.  Jesus entende que o alimento é importante para nossa sobrevivência. Ele precisa ser o primeiro pedido a ser feito no âmbito pessoal, ou seja, algo que vá diretamente nos beneficiar.

                        “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”

                        Saindo do campo material o próximo pedido é espiritual. O perdão tão necessário para justificação é feito levando em conta que precisamos também doar perdão a quem nos deve.  Seguindo o processo, Cristo ensina-nos a pedir proteção, clamando ao pai o livramento do mal e por fim terminar engrandecendo o nome do Senhor novamente.

                        O Pai Nosso é apenas uma referência, como dito anteriormente, e não um padrão de oração que deve ser feito exatamente com está escrito, decorado e padronizado.  Na verdade Jesus nunca ensinou padrões, regras, métodos.  Ele ensinou princípios.
                        O que muitas vezes acontece são rituais executados com base em álbum ensino do mestre, daí vira quase uma doutrina.
                        O Evangelho que Jesus ensinou na Terra foge a qualquer idéia de ritualização, liturgia.  Nunca foi pretensão do mestre limitar o Evangelho a rituais de oração, de cultos, ao contrário, ele veio para quebrar padrões religiosos que impediam a aproximação do homem com Deus, por isso nossa oração deve ser simples, clara e objetiva sem seguir regras e padrões de comportamentos.  Deus sabe exatamente o que vai ser pedido.  Ele conhece o nosso deitar   e o nosso levantar, então, o que precisamos é apenas conversar com ele como se conversássemos com um amigo, respeitando sua grandeza, reverenciando sua majestade e o adorando com verdade.  O que vai diferenciar o resultado de nossa oração das orações não respondidas é a nossa sinceridade e a disposição do nosso querer ao querer de Deus.

                                                                  25 e 25 de Novembro,
O.V. Rio de Janeiro 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O INFERNO EXISTE?



Introdução

Milhares e milhares de pessoas acreditam que existe um lugar cujas características extrapolam o raciocínio lógico humano. É um lugar chocante, terrível, tenebroso que todos temem. Inimaginável estar neeste lugar espiritual em que almas são atormentadas o tempo todo por espíritos maus.
Por muitos anos esta ideia permeia a mente do homem causando medo e às vezes repulsa a um Deus que supostamente criou um lugar para atormentar almas perdidas.
Mas este lugar realmente existe? Deus criou um espaço tenebroso para se vingar de almas rebeldes e vê-las pagar por toda maldade que fizeram aqui na Terra?
A bíblia não traz referência alguma sobre esse suposto lugar de tormento como é ensinado durante todos esses séculos, nem se pode tomar como doutrina a parábola do rico e Lázaro contada por Jesus Cristo.  Mas, então, o inferno existe?
Sim, o inferno existe, e não é como acreditam ser: um lugar de tormento cheio de demônios torturadores, pelo menos é o que nos mostra a bíblia.
“A palavra “Inferno” não está na língua hebraica e grega, do Antigo e Novo Testamento respectivamente, vem do latim infernus, de séculos depois, então cabe aos tradutores identificarem o inferno em palavras gregas se baseando em suas convicções teológicas, daí onde ocorre alguns erros de concordâncias.”


O Inferno segundo a Religião

Jesus disse: “Quem crê em mim será salvo, mas quem não crê está condenado”.  Esta frase é uma das mais usadas pelos pregadores para se referir a uma condenação eterna para os injustos. Segundo eles a descrença em Jesus torna o descrente um condenado ao tormento sem fim assim que morre.  A partir daí cria-se fantasias mirabolantes acerca do que seria essa condenação. Deve haver um lugar de perdição, terrível para que as almas que forma rebeldes, contrárias a vontade de Deus, sofram continuamente por isso. Aquelas que machucaram pessoas, roubaram, mataram, violentaram tem de ser torturadas de eternidade em eternidade enquanto Deus existir, e ele mesmo se encarrega de jogar tal alma nesse sofrimento e vigiá-la sofrer incansavelmente.
A religião foge absolutamente do ensino do Evangelhho, enquanto este afirma categoricamente que os mortos dormem, aquela apregoa os céus ou paraíso aos santos e o inferno aos pecadores imediatamente após a morte.  Dão ênfase a parábola do rico e Lázaro em que Jesus afirma Lázaro, o mendigo, está  no seio de Abraão enquanto o rico num lugar de tormento desejando beber uma gotícula de água.
Jesus nunca afirmou  que o rico estivesse no Inferno (retratado pelas religiões) e Lázaro, mendigo no Paraíso (segundo a ideia das religiões).  Ainda há de se compreender que Parábola não é fundamento para se criar doutrina.  Jesus tinha a intenção de revelar algo nessa parábola, aproveitando a forma de entendimento das pessoas para quem falava. Logo devemos perceber que onde o rico estava não havia demônios torturadores, perturbando o rico, fazendo de sua eternidade um tormento sem fim e, também se existisse inferno este não poderia ser visível aos moradores do céu, porque assim, eles jamais poderiam ser felizes vendo o sofrimento de seus entes queridos.


O significado da Parábola do Rico e Lázaro

Lucas Banzoli em seu artigo: Estudo completo e aprofundado sobre a parábola do rico e Lázaro exemplifica muito bem o que Cristo quis ensinar com esta parábola, do qual muitos interpretam como literal, afirmando que Jesus falava de um mundo espiritual, no qual jamais foi intenção do mestre. Acompanhe um trecho do artigo que explica o significado dos elementos da parábola do Rico e Lázaro:

 

“O homem rico representava a nação judaica, que se orgulhava de se auto-considerar “os filhos de Abraão” (cf. Jo.8:33). Eram o povo escolhido de Deus, a nação eleita, sacerdócio real, tinham a Lei de Deus, os Mandamentos, eram os filhos legítimos de Abraão.
Contudo, rejeitaram o Messias, rejeitaram o Filho de Deus encarnado, preferiram seguir os seus caminhos e as suas tradições, fundamentando-as na segurança de serem os filhos de Abraão, Em contraste, como eles consideravam os gentios? Os consideravam como os coitados, considerados como cães, imundos e indignos do favor do Céu, pelos judeus. Não foram os “escolhidos de Deus”, eram, portanto, os “Lázaros espirituais”.
Enquanto os judeus receberam tudo de bom nesta vida, recebendo o favor de Deus como a nação eleita e sacerdócio real, para lhes ser computada como justiça, os gentios (representados pelo mendigo Lázaro) eram os “pobres” do Reino. Ficavam para trás, o máximo que faziam era “comer as migalhas” daqueles que faziam parte do Reino, os judeus, representados pelo Rico.
Como o rico, os judeus não estendiam a mão para auxiliar os gentios em suas necessidades espirituais. Permitia apenas comer das migalhas. Cheios de orgulho, consideravam-se o povo escolhido e favorecido de Deus; contudo, não serviam nem adoravam a Deus. Depositavam confiança na circunstância de serem filhos de Abraão, dizendo: “Somos descendência de Abraão” (cf. Jo.8:33), e diziam isso orgulhosamente.
Assim, foram os judeus comparados ao homem Rico da parábola, pelo fato de que possuíam as riquezas do evangelho, mas, no entanto, não cumpriram a vontade de Deus a respeito deles, que era de ser a luz dos gentios.
Apesar de serem considerados “a descendência de Abraão”, os gentios demonstravam uma fé muito superior do que a dos próprios israelitas! Embora estes fossem “os ricos do Reino”, devendo ser a luz das nações e os reis da terra deveriam caminhar vendo a glória de Deus que paira sobre eles (cf. Is.60:3), não aproveitaram essa sua riqueza. Os gentios, contudo, mesmo sendo os “Lázaros espirituais”, desprezados pelos judeus por não serem os “filhos de Abraão”, demonstraram uma fé muito superior a dos próprios judeus.
Portanto, Cristo quis ensinar nesta parábola que os judeus (Rico) banqueteavam-se na mesa da verdade, enquanto os gentios (Lázaro), eram como os cachorrinhos que procuravam a todo custo apanhar ao menos das migalhas do evangelho.
E, de fato, eles passaram a fazer parte da mesa de Deus, unidos em “um só povo” (cf. Jo.11:52). Isso serviu de lição moral ao grupo dos fariseus, que eram exatamente aqueles a quem Cristo condenava nesta parábola (v.14,15). A maior prova de que o Rico (nação judaica) recebeu “seus bens em sua vida”, como nos informa a parábola, foi o fato de ter sido chamada para ser o sacerdócio real de Deus na Terra, nação santa, peculiar.
Sobre ela o Senhor dispensou, por séculos, bênçãos sem limites, além de dar-lhes uma terra onde mana leite e mel e, finalmente, deu-lhes o próprio Messias, o Salvador. A reação do rico (judeus), contudo, foi esta: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (cf. Jo.1:11). Os judeus, portanto, rejeitaram o Messias (o Rico morre). Assim sendo, perderam a soberania divina sobre as demais nações.
O evangelho haveria de ser então anunciado em seu poder aos gentios (Lázaro), a fim de que também eles participassem da mesa do Reino. Não comeriam mais migalhas da mesa do Senhor, mas fariam parte do banquete do Reino (cf. Lc.13:29). O que Jesus faz? Ele tira do próprio Abraão, sobre o qual aquela nação judaica se orgulhava em sua chamada “superioridade”, as palavras que este haveria de ter dito em pessoa: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” (cf. Lc.16:31).
Essa é a lição moral da parábola. Nada, nem mesmo uma ressurreição, poderia converter aquela nação novamente. Tornaram-se cegos espirituais, cavaram-se a si mesmo um abismo intransponível entre eles e Deus, entre eles e a salvação (cf. Lc.16:26). A parábola, portanto, não deve ser interpretada literalmente pelos seus meios fundamentando-a como doutrina, pelo contrário, tem cada elemento o seu devido significado ao exemplo das outras parábolas que também não apresentam meios literais, mas uma verdade moral por detrás de um cenário fictício.”

Lucas Banzoli, Estudo completo e
aprofundado sobre a parábola do rico e Lázaro

                Está extremamente explicado neste artigo qual a real intenção de Cristo com esta parábola, mas infelizmente durante séculos se vem ensinado totalmente o contrário com uma intenção maldosa de criar um inferno para sofrimento eterno de almas visando o amedrontamento das pessoas e forçar sua conversão. De modo algum Deus criaria um inferno (e eterno, ou seja, para sempre) com demônios torturadores para ver seus filhos sendo maltratados dia e noite pelos anjos caídos. Isso seria uma grande vitória para Satanás, que se alegraria muito com tal situação. Mas o bem da verdade é que TODAS as pessoas que morrem, neste exato momento esperam o dia da ressurreição. A bíblia ilustra isto inúmeras vezes em várias passagens; nem há como refutar. 
            Portanto, a Parábola do Rico e Lázaro nada mais é que um ensino a respeito de algo que acontecia nos tempos em que fora explanada e nada tem a ver com ensino sobre imortalidade da alma, ou seja, que quando morremos ou vamos para o Paraíso ou para o Hades. Não há fundamento bíblico para afirmar que o rico estava no Inferno atormentado e o mendigo no Paraíso deleitando-se com as maravilhas lá encontradas. Tudo não passou de uma história que Jesus contou para ilustrar o seu ensino sobre a rebeldia do povo judeu e sua “queda” espiritual por não crê no Filho do Homem.


            Os mortos: para onde vão as suas almas?

            Segundo o livro de Provérbios os mortos nada sabem, nada sentem, nada compreendem.  A bíblia diz que o corpo retorna para o pó da terra e o espírito volta para Deus que o deu.
            Em toda a bíblia há referência de que os mortos não tem sentido algum. Audição, visão, paladar, tato ou olfato pertencem a quem está vivo.  Quem sai dessa Terra perde toda a consciência, emoção e sentidos. Fica dormindo aguardando o dia Jô juízo quando todos ressuscitaram dos mortos.
            Em João 11 tem-se a história da ressurreição de lázaro.  Nos versos 11 ao 14 percebe-se Jesus falando sobre como é a morte.  Diz que é um sono profundo, ou seja, um estado total de inconsciência,  inclusive os discípulos pensaram que Jesus falava que lázaro dormia o sono comum e que estava seguro, então, no verso 14 Jesus declara abertamente: Lázaro está morto”.
Então, para onde vão as almas dos mortos?  A alma é a própria consciência.  Ela adormece quando o corpo, a quem ela pertence, desfalece.  Como uma bexiga que murcha ao sair o ar de dentro, assim, o corpo desvanece quando perde a alma e esta por sua vez “deixa de existir”.  Mas o ar deixa de existir?  Não, ele continuar existindo até ser posto na bexiga e enchê-la novamente.  Do mesmo modo a alma retornará ao corpo com toda sua consciência e vitalidade no grande dia do Juízo em que Jesus aparecerá no céu e julgará as nações da Terra.

O. V. dezembro de 2015.
 São Cristovão / RJ